Historiador Lenine Pinto Foto: André Correia Blog Folha de Pedra Grande/RN |
Lenine Pinto
é um
historiador que tem uma tese curiosa. Segundo ele, o Brasil foi descoberto por
Cabral, em 1500, no Rio Grande do Norte, mais precisamente no litoral que
compreende Pedra Grande e São Miguel do Gostoso, e não no litoral da Bahia.
De
acordo com a tese de
Lenine, o Monte Pascoal visto pela esquadra de Cabral na verdade era o Pico do
Cabugi, em Angicos (RN), visto do litoral potiguar. Lenine sustenta sua tese com
base em rotas de navegação, correntes marítimas e posição dos ventos. Isso
levariam a esquadra ao litoral potiguar.
Na
tarde desta
segunda-feira (22/4), Lenine fez uma concorrida palestra em São Miguel do
Gostoso. O local da palestra, o Salão Múltiplo Uso, estava lotado, com a
presença de professores, estudantes, prefeitos e vereadores de três municípios: Pedra Grande.
São Miguel do Gostoso e Touros.
Blogueiro André Correia, Lucas e o Historiador Lenine Pinto Foto: Joaquim Melo Blog Folha de Pedra Grande/RN |
A
tese de Lenine não
é oficial. É uma contestação a dados históricos que dizem que Porto Seguro, na
Bahia, foi o primeiro lugar ao qual chegou a esquadra de Cabral. O livro em que
Lenine sustenta esta tese chama-se “Reinvenção do Descobrimento”
Seja
qual for a
conclusão histórica sobre o local exato do descobrimento do país, o fato é que a
história do Brasil começa realmente pelo litoral do Rio Grande do Norte. Este
ponto de partida é o chamado Marco do Descobrimento, na Praia do
Marco.
A
Praia do Marco fica a menos de 20km da sede
de Pedra Grande e São Miguel do Gostoso. A praia fica no limite dos dois municípios. Este marco já foi chamado de Marco de Touros, a quem antes pertencia quase toda região do mato grande.
A
história deste marco é
oficial e consta de documentos históricos do descobrimento do Brasil. É fato
que, um ano depois do descobrimento, ou seja, em 1501, uma expedição portuguesa
veio demarcar as novas terras descobertas por Portugal.
Esta expedição era
comandada por Gaspar de Lemos. O marco é uma pedra de mais ou menos 2 metros de
comprimento, com as armas da coroa portuguesa. Depois deste marco, outros foram
deixados em diversas praias ao longo do litoral brasileiro.
Desta
forma, foram
deixados outros marcos demarcatórios das terras de Portugal em Itamaracá,
Pernambuco, Porto Seguro, na Bahia, e São Vicente, em São Paulo.
Este
fato é
incontestável. Está em Pedra Grande e São Miguel do Gostoso a praia onde pisaram pela primeira
vez os portugueses, depois do descobrimento do Brasil. E este fato foi bastante
lembrado no seminário de ontem, com a participação de Lenine Pinto.
Prefeita de São Miguel do Gostoso/RN, Sra. Maria de Fátima( Fafá ) e o prefeito da cidade de Pedra Grande/RN, Sr. Marcos Luiz Pereira( Marcão). Foto: André Correia Blog Folha de Pedra Grande/RN. |
A
pesquisadora Tânia
Teixeira, que tem uma pousada na Praia do Marco, informou que o Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) tem planos para criar um
espaço – espécie de memorial – para abrigar o Marco do Descobrimento.
Este
marco, que é
considerado o monumento mais antigo do descobrimento da América, está hoje no
Forte dos Reis Magos, em Natal. Ocorre que o Iphan vai assumir o controle do
Forte e pretende devolver o marco ao seu local de origem.
Na
Praia do Marco,
existe atualmente uma réplica do marco original. A Universidade Federal do Rio
Grande do Norte fez um levantamento histórico e cultural sobre a história do
marco. O Iphan já estuda um espaço que
servirá de abrigo para o marco.
Marco do descobrimento Blog Folha de Pedra Grande/RN |
Se
este memorial for
mesmo criado, aí é história pura. Não só Pedra Grande e São Miguel como todo o Rio
Grande do Norte ganhará importante referencial histórico e um grande atrativo
para impulsionar seu turismo. Isso dará grande visibilidade à
região.
Os
prefeitos do três
municípios envolvidos nesta questão – Pedra Grande, São Miguel do Gostoso e
Touros – prometeram se unir para incentivar a criação deste memorial. Isso deve
ser feito em benefício da história e do turismo regional.
Agora é esperar que
o Iphan conclua seus estudos para, com a ajuda destes três municípios, fazer
mesmo o memorial que abrigará o marco do Descobrimento do Brasil. Aí o RN e o
Brasil ganharão um monumento para contar sua própria história.
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